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[CONTO] Que comecem os jogos

Seus olhos me fitavam na penumbra. Aquele verde se misturava ao meu, e eu o sorvia calmamente com a mesma intensidade que as luzes de neon caíam sobre mim.

Estávamos numa balada. Havia muita gente, mas, ao mesmo tempo, meus olhos não saíam dos seus. Eu estava enfeitiçada, como se seu efeito magnético tivesse tomado um lugar inesperado dentro de mim.

Era como uma mão sobre a garganta. Fazia o ar escapar, a voz sumir, mas, ao mesmo tempo, aplicada no contexto exato, causava um prazer indescritível.

Eu não saíra de casa pensando prioritariamente em sexo. Era para ser só uma noite das amigas solteiras, uma balada num sábado qualquer. Mas, estando em São Paulo, sabendo tudo o que essa cidade oferece, também é importante entender que, às vezes, o inesperado se atravessa.

E eu não era dessas pessoas que negam coincidências, pois, definitivamente, estar no mesmo lugar e hora de uma pessoa que te deseja ao mesmo tempo que você também a deseja é o tipo de coisa que me parece uma.

Entrara ali, como eu disse, sem grandes pretensões. Havia pedido meu gin, me aproximei da pista de dança e, tão pronto o fiz, meus olhos recaíram nos seus e não quiseram mais sair.

Havia algo naquele verde, uma mistura de mistério e convite, desses enigmas que parecem divertidos demais de resolver — e eu gosto mesmo de me divertir, afinal.

Tanto era assim que, em momento algum, eu desviei o olhar desde o instante em que o meu colidiu com o dela. E, acreditem ou não, sincronicamente o seu também se manteve, sinal de que ela igualmente desfrutava desse jogo.

A conquista é um jogo de cartas ocultas. Eu não tenho ideia do naipe que compõe a mão do outro, mas ele tampouco sabe o que tenho na minha. Em dado momento do jogo, ambos terão que revelar o que detêm.

Esse momento ainda não havia chegado e, enquanto isso, eu me perguntava mentalmente o que aqueles olhos queriam. Queriam desnudar o meu corpo? Queriam ser a bebida que
eu suavemente sorvia encostada no balcão? Queriam sentir o perfume que eu cuidadosamente escolhi para essa noite?

Muitas conjecturas se formavam em minha mente ao mesmo tempo, quase como uma partida de baralho que, pouco a pouco, mostrava o que cada lado tinha para tentar levar a vitória. Parecia que alguém queria a vitória? Se uma levasse, as duas não ganhariam?

A resposta era óbvia. Viesse o que viesse, se eu a comesse ou se ela o fizesse comigo, isso ainda seria vencer, até porque eu certamente me entregaria àqueles braços que pareciam flutuar pelo ar enquanto ela dançava de um jeito sensual e sugestivo.

Seus movimentos não eram inocentes. A forma como seus dedos passavam pelos cabelos negros e longos, ajeitando-os vez ou outra, no caminho de descer pelos quadris que se moviam ao ritmo daquela canção que, aos meus sentidos, era quase inaudível.

Menciono não escutá-la não por estar baixa ou por eu não ter ouvido o suficiente para isso, apenas pelo fato de que, nesse momento, as notas musicais me eram indiferentes. Poderia ser Vivaldi; eu certamente não me importaria muito.

Isso porque, ao mesmo tempo que o álcool me deixava cada vez mais animada, as doses daquela mulher desconhecida iam me embriagando. A primeira dose veio por meio de suas íris esmeralda; a segunda, com sua boca rosada; a terceira, com seu corpo curvilíneo; a quarta, com o belo par de seios prenunciados por seu vestido bordô; e a quinta, por suas pernas, que pareciam perfeitas para serem abertas pelas minhas mãos, que, nesse momento, seguravam o copo de bebida como quem sabia que não era o bastante.

Minhas mãos não descansariam até estarem no entorno daquela cintura e, agora, ela estava bem consciente disso, pois, no momento em que virou de costas e desceu de maneira lasciva até o chão, me encontrou parada no mesmo lugar, ainda perdida em seu ritmo.

Uma risadinha escapou de seus lábios pintados de batom e eu correspondi o sorriso. Era daquele tipo safado, do que instiga e atrai, do que te fisga e prende no mesmo segundo. E eu sequer evitei ser presa. Como eu já mencionei, não fazia muitas objeções.

Tanto que, no momento em que vi seus olhos seguirem de mim ao banheiro feminino, eu não hesitei por um instante sequer. Larguei a bebida no balcão e fui ao seu encalço, enquanto a música parecia soar mais alto para quem estava fora.

Na minha cabeça, nesse momento, ressoavam apenas os possíveis sons que aquela boca poderia fazer naquele cubículo cuja luz era avermelhada.

No instante em que entrei, passei o trinco na porta. Não que fizesse muita diferença — afinal, não havia chance de estar trancada —, mas isso não me deixava receosa. Já eram quase duas horas da madrugada e, se ela fosse do tipo quietinha, poderíamos resolver aquilo sem ninguém saber. No mínimo, até, eu poderia ajudá-la colocando a mão sobre seus lábios.

— Achei que não tinha entendido a mensagem — ela me disse, seu olhar encontrando o meu no espelho enquanto nos observávamos agora sob uma luz mais clara. De perto, era capaz de ver os detalhes de um rosto bonito e devidamente esculpido.

— Você não é tão discreta quanto acha que é — devolvi, e o sorriso sacana surgiu no canto de sua boca atrativa.

— E você é bem abusada, não é? — respondeu, saboreando o que eu definia como ousadia. Nunca fui das santas, e estar ali ajudava a confirmar meu ponto.

— Mas não tanto quanto você — falei, pois, se eu não estava perto de ser canonizada, aquela garota muito menos. Ela não era inocente; sabia o que estava fazendo quando me instigou até ali, tanto quanto eu também. Não havia tolos nesse jogo.

— E quando isso te pareceu? — perguntou ainda assim. Ela não estava disposta a mostrar suas cartas naquele momento, então…

Ainda assim, eu já estava preparada para partir para as apostas. Por essa razão, encarei-a mais profundamente no espelho até perceber o sorriso se transformar num suspiro.

Ela sentiu, e eu senti. Era a pura, irrevogável face da química estampada em dois rostos desconhecidos que passavam a se desbravar em um intervalo de poucos segundos.

Ali, inteira, ela leu minhas expressões. Não tinha certeza se eu blefava ou se estava disposta a tudo. Para provar que sim, dessa vez fui eu quem sorriu de canto de boca.

— No momento em que se deu conta de que eu estava te vendo. Você fixou seus olhos nos meus e continuou dançando de uma maneira… — hesitei propositalmente, virando-me em sua direção, passo que provou ser o bastante para que eu fosse acometida por um perfume altamente afrodisíaco.
Abóbora, baunilha, canela, hortelã-pimenta, lavanda… certamente a última opção.

— O gato comeu sua língua? Não consegue terminar sua frase? — questionou, como quem provocava alguém prestes a mostrar todas as suas faces. Até mesmo ela, que escondera seu jogo, queria as cartas sobre a mesa. Agora.

— Até poderia, mas acho que você prefere outra coisa — naquela guerra de disfarces, era seu rosto que me entregava tudo naquele instante. Era uma mistura de urgência e luxúria que me pedia por perto, cada vez mais, ainda que ela não tivesse dito nada.

— Como o quê? — ela sabia bem a resposta, mas ainda assim quis perguntar. Avaliava minha reação, empurrando-me um pouco mais, como um arremate final de má exigência que eu não me negava a conceder.

Com cautela, aproximei-me daquela mulher, sua altura levemente menor que a minha, o suficiente para que seus lábios arfantes ricocheteassem em meu queixo enquanto a puxei pela cintura.

O espelho era testemunha, mas naquele momento nenhuma era necessária. Bastava que, no vermelho que tomava aquele ambiente, sobrassem entre o fogo cinzas de tesão e safadeza.

Menciono essas porque nada doce veio à minha mente no segundo em que meus dedos se afundaram abaixo de suas costelas, correndo até sua bunda redonda, que encaixei em minha pélvis, deixando-a segura o suficiente para que eu avançasse com ela até a porta de uma das cabines.

Com o cubículo ainda fechado, colei sua boca na minha, misturando todo o desejo da contemplação naquele primeiro contato. A incerteza da concretização daquele ato, a troca lasciva de olhares e até o momento que nos consumia.

Não só o momento, eu diria; afinal, logo que sua boca esteve na minha, senti-a devorar-me na mesma medida em que eu fazia. Era um jogo de línguas, lábios e mãos cada vez mais salientes — a minha passeando de sua cintura à sua bunda, e a dela, dos meus cabelos às costas.

Ela puxava os fios conforme o beijo se intensificava e soltava gemidos abafados toda vez que eu a apertava contra mim. No encaixe de nossos corpos, com uma de suas pernas levantadas, eu conseguia sentir sua boceta em minha barriga.

Ela estava quente, e quanto mais nos beijávamos, mais sentia aquela temperatura aumentar. Era álcool, tesão e vontade colidindo em duas bocas famintas que intensificavam o beijo conforme o tempo passava.

O tempo, aliás, parecia ter um compasso diferente agora. Era ditado pela velocidade das minhas mãos em sua pele e definido pelos meus passos cabine adentro, nos confinando num cubículo que prometia ser o palco de todo o nosso prazer naquele instante.

No momento em que entramos, cessei aquela sequência infindável de beijos, percebendo em seu olhar certa contrariedade ao fazê-lo, mas precisava confirmar verbalmente a certeza que existia em seus beijos.

— Você tem certeza? — perguntei, prometendo ser aquele meu último ato de cavalheirismo na noite. Ela assentiu. Com isso em vista, tomei minha primeira ação.

Com habilidade, virei-a de costas para mim, encaixando sua bunda em minha pélvis, ao mesmo tempo em que seu rosto se recostava na madeira que encobria a porta da cabine. Com paciência, usei minhas pernas para abrir as suas, segurando seus cabelos com uma mão, enquanto a outra se movia de baixo para cima na direção do meio de suas pernas.

Nesse momento, ela arfava. Sabia que era fim de jogo, mas ainda não se dava por vencida; por isso, assim que cheguei ao interior de sua coxa, ela se empinou ainda mais para mim e deu uma rebolada safada, deixando-me ainda mais instigada.

Devolvi com um bom aperto em seus cabelos, os fios se envolvendo entre meus dedos conforme eu afastava sua calcinha rendada, passando a entrar em sua intimidade quente. Havia um caminho de poucos pelos, algo perfeitamente natural e excitante, pois eles se grudavam à pele de sua boceta por toda a lubrificação que existia ali.

— Está assim desde que dançou para mim? — questionei baixinho ao pé do ouvido, fazendo seu corpo vibrar com o quão quentes se encontravam as minhas palavras.

— Você sabe que sim — respondeu, entregue no mesmo sussurro, desafiando-me a explorá-la ainda mais com os dedos.

E eu, obviamente, não me fiz de rogada. Aproveitei aquela deixa para entrar mais fundo, com dois dedos, fazendo o necessário para que ela arranhasse ainda mais aquelas paredes a cada estocada mais forte.

Meus dedos entravam e saíam, e era fácil — muito fácil — fazer isso justamente porque ela estava tão excitada. Ela os apertava quando eu os colocava mais para dentro e, ao mesmo tempo, parecia se abrir ainda mais para me receber a cada movimento de entra e sai.

Sua boceta derramava lubrificação por entre as pernas, provando-me que se encontrava totalmente voraz ao meu toque. Ela queria mais, se alimentaria de mais, e eu não era uma mulher maligna que lhe negaria a medida do que necessitava.

Com a mesma mão, subi um pouco mais por sua intimidade, mantendo o anelar e o indicador ainda dentro para não diminuir a intensidade dos meus toques. Na verdade, toda a minha intenção era acrescentar — e assim o fiz.

Com bom manejo e plena consciência do que fazia, apesar do álcool, usei o polegar para acariciar seu clitóris, fazendo mais uma onda de prazer percorrer seu corpo assim que iniciei movimentos circulares naquela região, que já se encontrava erétil de estímulos anteriores.

Me lambuzei daquele contato, coordenando os movimentos dentro e fora dela no mesmo ritmo, fazendo com que ela ficasse totalmente imersa em sua própria luxúria — sentimento que ela mesma cultivara quando me devolvera o olhar naquele outro ambiente.

Mais uma vez, eu não ouvia a música; estava pouco consciente dos passos que aconteciam no mesmo banheiro, mas aquilo não me parava. Sei que, em dado momento, coloquei a mão sobre sua boca, retirando-a de seus cabelos, apenas porque seus gemidos começavam a escalar aos poucos e alguém poderia nos ouvir.

— Não queremos acabar com o nosso jogo, não é? — mencionei com uma risadinha baixa e, outra vez, mordi sua orelha antes de cobrir seus lábios com a mão, impedindo que seus sons escapassem até o gozo.

Ele não demorou a chegar. Quando a senti mais próxima, apenas intensifiquei meus movimentos, entregando todos os estímulos possíveis até que ela, já esgotada, gozasse em
meus dedos, quase caindo do próprio salto. Segurei-a e a virei para mim; seu sorriso era imenso sob as luzes vermelhas.

— Eu quero você — disse sem rodeios. Ela parecia apressada em me devolver o mesmo que eu lhe dera há pouco, e devo confessar que eu queria.

Assim, depois de alguns segundos para que se recuperasse, vi-a se agachar até ficar à altura das minhas pernas. Não parecia receosa em nada; pelo contrário, era exatamente como ela queria me recompensar.

Olhei-a nos olhos outra vez, buscando certeza, e o que recebi foram suas mãos espalmadas em minha bunda, empurrando-me até o outro extremo da cabine.

Não fiz qualquer objeção às suas ações. Eu queria gozar gostoso, e ela consentia em me proporcionar isso; então apenas aceitei e me entreguei totalmente ao seu toque, que começou em meu tornozelo e se elevou até a altura do vaso sanitário, deixando-me totalmente aberta para ela — promovendo mais uma grande surpresa daquela noite.

— Marcava o vestido — justifiquei-me, e ela apenas sorriu de maneira sensual, como se não tivesse pedido explicações, mas agradecesse que eu estivesse nervosa o suficiente para dá-las.

Com maestria, aproximou-se de minhas pernas abertas, com lábios que pareciam conhecer bem o que faziam. Beijou lentamente a carne entre minhas pernas, como fizera com minha própria boca, e sugou o clitóris ao fim daquela contemplação profunda.

No mesmo instante, não pude evitar levar a mão a seus cabelos, aproximando-a ainda mais de mim para que não parasse. Ela não parecia ter essa intenção, mas eu queria me certificar.

Meu pensamento se interrompeu no momento em que sua língua passou de baixo para cima pelo meu clitóris, com dedicação especial na pontinha, circulando enquanto me olhava nos olhos. Eu queria cerrar as pálpebras e emergir em meu próprio prazer, mas era impossível.

A visão de uma mulher gostosa me chupando era difícil demais de ignorar — e, felizmente, eu não precisava fazer esse esforço. Assim, apenas rebolei mais contra sua língua, sabendo que aquele movimento jogava totalmente a meu favor.

Os minutos que se seguiram foram quase indescritíveis. Sua boca era impressionante, e a maneira como me fodia me deixava com as pernas fracas. Eu me segurava com uma mão na cabine e a outra em seus cabelos, puxando-a mais e mais para mim.

Seus olhos verdes não desviavam; sua boca deliciosa consumia minha boceta, e tudo o que eu mais queria era bradar para aquela balada inteira o prazer daquele encontro casualmente intenso.

Quando o gozo ameaçou vir, pensei em colocar a mão sobre a boca, mas fui surpreendida quando ela se ergueu e substituiu sua língua por três dedos dentro de mim, ao mesmo tempo em que me beijava.

Quase caí para trás de ardor e vontade, mas sua mão estava ali para me resgatar e me manter firme contra a cabine, enquanto a outra me preenchia de uma só vez.

A pequena fração de segundos entre um ato e outro foi responsável apenas por tornar meu gozo ainda mais forte, antecipado pela garota de olhos verdes que me beijou enquanto sentia os inúmeros espasmos da minha boceta em suas mãos, no mesmo instante em que eu me deixava levar.

Gozei gostoso sobre ela, sentindo sua língua misturar nossos gostos em minha boca enquanto eu rebolei em seus dedos até extrair o último resquício de prazer. Foi delicioso, quente e louco. Demasiado louco.

— Qual o seu nome? — perguntei assim que consegui assentar a respiração naquela cabine, pensando finamente sobre o quão discretas havíamos sido. Ela apenas riu.

— Esse é o seu novo desafio, linda. Se quer saber de mim, apenas me descubra — disse, rindo, antes de me dar um selinho e sair de diante de mim com o mesmo ar de mistério que havia em seus olhos na primeira vez em que a vi.

Era um novo jogo, e naquela noite eu estava disposta a descobrir. E como dizer não?

Que comecem os jogos…

Conto erótico by Letícia Araújo (@Leteratura__)

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