Quem você acha que goza mais durante o sexo? Os homens ou as mulheres? Se você respondeu homens, você acertou.
Um levantamento divulgado no Archives of Sexual Behavior mostrou que 95% dos homens (cis) heterossexuais chegam ao orgasmo em todas as relações. Já para as mulheres (cis) héteros, essa taxa cai para 65%. O mesmo estudo revelou que, quando olhamos para as mulheres lésbicas, esse número já sobe para 86%. Ué, o problema é com a gente? Já te adianto que não. Vem saber mais! 🔍
Afinal, o que é o gap do orgasmo?
Outro estudo que vale mencionar – este, feito no Brasil, pela Universidade de São Paulo (USP), concluiu que 55% das mulheres brasileiras não gozam durante o sexo. Preocupante, né? Isso sem falar na parcela que não goza mas sente necessidade de fingir que gozou para agradar emocionalmente o parceiro.

Essa disparidade entre as porcentagens é chamada de “gap do orgasmo”, uma expressão que basicamente se refere a essa diferença entre homens e mulheres na quantidade de vezes em que cada um dos gêneros chega lá. É a falta de igualdade do orgasmo! 🤔
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Mas por que tanta diferença?
São muitos os fatores envolvidos – mas um dos principais, sem dúvida, é o sexo com foco na penetração. Recentemente, falamos aqui sobre a importância e a urgência de repensarmos a história da sexualidade feminina.
Entre tantas coisas erradas que rolaram nesse caminho, e que fizeram as mulheres se distanciarem do prazer próprio e do conhecimento do seu corpo, dos seus estímulos e dos seus desejos, está o fato de que nós fomos ensinadas que sexo é penetração – fora isso, seria tudo preliminar. Mas essa ideia não faz sentido!
É claro que a penetração tem seu valor – vamos lembrar que cada corpo é um corpo e que o que excita um pode não excitar o outro – mas ela não costuma ser muito eficiente na hora do orgasmo. Isto é, ela não é muito conhecida por fazer as mulheres gozarem. Trago aqui outro dado que comprova essa história: menos de 25% das mulheres têm orgasmo com penetração. E mais: de acordo com um estudo da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, apenas 18,4% chegam ao orgasmo com penetração. É uma minoria.
É importante dizer…
O grande protagonista do orgasmo feminino está na vulva – e, mais especificamente, no nosso tão querido porém tão sub-aproveitado clitóris. Se as pessoas soubessem o valor que ele tem… Vamos começar tendo em mente que estimular o clitóris NÃO é preliminar – é sexo! E, por isso, merece tempo e dedicação. Esse é o caminho pra gente conseguir chegar lá mais vezes. O clitóris é a chave para os orgasmos das mulheres. Para mudar esse cenário, precisamos colocar a estimulação do clitóris entre as prioridades na hora do sexo. Combinado?

Outro ponto que devemos levar em conta é que os homens (cis), por geralmente gozarem mais rápido, normalmente encerram a relação ali, logo após ELES atingirem o orgasmo. E não dá pra ser assim! Se ele gozou e ela não, o sexo ainda não acabou.
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Aí entra o que estávamos falando sobre estimular o clitóris e, também, usar vibradores, masturbar, fazer sexo oral… Enfim, as possibilidades são infinitas e devem ser exploradas. Com as mulheres gozando mais, diminuímos cada vez mais esse famigerado gap do orgasmo.
Não, não tem nada de errado com a gente!
A “lacuna” do orgasmo não tem um único culpado. Ela denuncia um problema cultural, de repressão do corpo e sexualidade feminina, de desinformação, de um script sexual enxuto, e da falta de conhecimento do próprio corpo.
Ah, e de acordo com o Instituto Kinsey, 95% das mulheres chegam ao orgasmo com facilidade e em poucos minutos ao se masturbar. Ou seja: não tem realmente nada de errado com a gente. Não é que somos incapazes de gozar ou que nosso orgasmo seja supermisterioso e impossível de alcançar.

Mas, falando sobre isso, é importante lembrar (mais uma vez) que não fomos ensinadas a descobrir nosso prazer – e, por isso, temos dificuldade de comunicar para o outro o que gostamos e o que não gostamos. Se nem a gente souber do que gosta, como nossas parcerias vão saber?
A comunicação sexual é parte fundamental para o orgasmo feminino. Nós precisamos estar abertas a mostrar o caminho e quem for se relacionar com a gente também deve estar disposto a descobrir! O gap do orgasmo ainda é grande, mas vamos juntas criar pontes para que essa diferença diminua?
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